Dia do Meio Ambiente: 12 green techs que estão ajudando o Brasil a limpar seu impacto negativo

Levantamento, feito pelo Prática ESG, traz alguns exemplos de empresas em áreas como economia circular, monitoramento de florestas, logística reversa, dessalinização de água do mar, bioinsumos, fitoquímicos, entre outras. Confira:





No dia do Meio Ambiente, comemorado neste 5 de junho, é importante reforçar que a preservação ambiental e restauração do que a atividade humana já impactou passa por uma junção de soluções e agentes.


Relatórios de consultorias diversas têm apontado para um preocupante cenário: as empresas ainda não estão fazendo o suficiente para conseguirmos brecar as emissões de gases poluentes e evitar o aquecimento do planeta acima de 1,5ºC, o que foi acordado como meta no Acordo de Paris, em 2015, e reforçado na COP 26, em 2021. Além de esforço coletivo corporativo maior do que temos visto, o surgimento e uso de novas tecnologias também tende a ajudar nessa missão. A solução passa pela preservação de florestas, combate ao desmatamento, transição para o uso de energia mais limpa, despoluição e circularidade de produtos. As green techs, como são chamadas as startups que estão atuando nessas searas, são, portanto, parte importante da solução.


O diferencial dessas empresas de tecnologia está no fato de elas trabalharem com base científica e técnica, como o problema exige. O objetivo final dessa classe é mitigar o impacto humano negativo no meio ambiente em diversos campos, que vão da agricultura à mobilidade urbana passando pela oferta de água potável.


Internacionalmente, há muita inovação sendo desenvolvida. Um artigo publicado no site do Fórum Econômico Mundial, em abril deste ano, assinado pelo professor Philip Meissner, da ESCP Business School, e também fundador e diretor do European Center for Digital Competitiveness, traz alguns exemplos interessantes.


“No campo da agricultura, a agricultura vertical pode revolucionar a forma como os vegetais são produzidos. A Infarm, por exemplo, com sede em Berlim, usa 99% menos espaço, 75% menos fertilizante e 95% menos água do que a agricultura convencional. A proteína também pode ser produzida de uma maneira muito melhor: a startup suíça Planted produz alternativas de carne à base de plantas (e deliciosas), de kebab a pato à Pequim, com 74% menos emissões de CO². E as diferenças da carne à base de plantas vão ainda mais longe: elas podem liberar 80% das terras agrícolas em todo o mundo usadas para pecuária, que atualmente produz apenas 20% das calorias”, escreve.


Outra frente grande de atuação são as startups com foco em oferecer soluções sobre clima e relacionadas às mudanças climáticas. Segundo relatório da consultoria e auditoria PwC de 2021, já foram identificadas mais de três mil “climatechs”. Muito dinheiro de investidores está indo para essa área. Entre 2013 e o primeiro trimestre de 2021, US$ 222 bilhões foram investidos em empresas de tecnologia relacionadas ao clima.


Segundo a auditoria, um total de US$ 87,5 bilhões foram investidos no período que compreende o segundo semestre de 2020 e o primeiro semestre de 2021. Isso representa um aumento de 210% em relação aos US$ 28,4 bilhões investidos nos doze meses anteriores. Só nos primeiros seis meses do ano passado, foram US$ 60 bilhões em investimentos. “A tecnologia climática agora responde por 14 centavos de cada dólar de capital de risco”, apresenta o estudo.


Outra consultoria, a BCG (ex-Boston Consulting Group), publicou em abril deste ano o relatório “The next 'digital': unlocking US$ 50 billion green tech opportunity”, em que traz que as empresas de tecnologia estão prontas para alcançar “um crescimento revolucionário”. “O crescimento da green-tech é impulsionado pela crescente adoção da transformação do modelo de negócios orientado para a sustentabilidade em todos os setores, criando uma vasta oportunidade de US$ 45 bilhões a US$ 55 bilhões por ano e com expectativa de crescimento de 25% a 30%, ao ano, nos próximos cinco anos”, aponta o estudo.


No Brasil começam a surgir bons exemplos de empresas de tecnologia que trabalham para ajudar empresas, governos e consumidores nos desafios ESG (social, ambiental e de governança). São exemplos em economia circular, monitoramento de florestas, logística reversa, dessalinização de água do mar, bioinsumos, fitoquímicos, entre outros. Conheça as 12 empresas que o Prática ESG elencou e que estão atuando para proteger, preservar ou restaurar o meio ambiente e o planeta.


1. Eco Panplas - Economia Circular

A Eco Panplas promove a reciclagem de embalagens plásticas pós-consumo com tecnologia própria. A recuperação das embalagens se dá por meio da chamada descontaminação ecológica, que não utiliza água, não gera resíduos e tem rastreabilidade. Com isso, leva benefícios socioambientais de impacto para a cadeia produtiva, para a sociedade e o ambiente. A empresa desenvolveu uma tecnologia, e obteve uma patente verde, pela qual separa o óleo residual de embalagens de lubrificantes para veículos e recupera as embalagens para que não seja necessário contar com material virgem. A cada 500 toneladas de produto reciclado, seriam preservados 17 bilhões de litros de água. A empresa também recupera todo óleo residual das embalagens, sem a geração de efluentes e resíduos, completando o ciclo da economia circular e logística reversa.


2. Umgrauemeio - Monitoramento de incêndios em florestas

O nome da empresa remete ao Acordo de Paris, a fim de reduzir as emissões globais de gases do efeito estufa para que o aquecimento global não supere 1,5 grau celsius. A greentech Umgrauemeio monitora incêndios florestais diretamente na área desejada, instalando câmeras de alta resolução em torres, onde giram 360 graus em busca de focos de incêndio. Cada câmera possui capacidade de detecção de 15quilômetros sendo que o foco pode ser detectado em apenas três minutos após o início do fogo. Outra câmera é direcionada ao foco e, por meio da triangulação das imagens, a coordenada resultante é indicada. Assim, as brigadas de incêndio são rapidamente acionadas, diferentemente do que ocorre quando o monitoramento é feito por satélite.


3. Tesouro Verde - Confiabilidade de informações sobre preservação florestal

O Grupo BMV, com sua vertical Tesouro Verde, uma govtech (SaaS que auxilia estratégias de políticas públicas de sustentabilidade e combate a mudanças climáticas), apresenta uma solução para conservação da biodiversidade em floresta, como estratégia de combate às mudanças climáticas), apresenta uma solução para conservação da biodiversidade em floresta, como estratégia de combate às mudanças climáticas. Por meio de um selo ESG, a startup busca certificar que florestas nativas sejam conservadas, em um processo que envolve o uso de blockchain, que garante a confiabilidade da operação.


4. Green Mining - Logística Reversa

Por intermédio de um algoritmo exclusivo, a Green Mining faz o mapeamento de pontos de geração de resíduos pós-consumo. Após identificar uma grande quantidade, instala uma central de recebimento, onde fica armazenado todo o material coletado na região antes de seguir para seu destino final. O material é retirado dos estabelecimentos cadastrados utilizando triciclos, em vez de veículos motorizados. Quando o centro atinge sua capacidade, o material é enviado para usinas e empresas de reciclagem. Segundo a startup, o material é pesado em cada etapa do processo e registrado no sistema a fim de garantir que tudo que foi coletado seja corretamente destinado. Nesse processo de rastreabilidade, a empresa adota a tecnologia blockchain.


5. Biosolvit - Reúso de rejeitos da indústria de palmito

A empresa utiliza resíduos de diversas origens como matéria-prima, ao transformá-los em novos produtos, sendo então reaproveitados em um novo ciclo, em sintonia com a ideia de economia circular. De acordo com a empresa, numa fábrica de palmito, apenas 3% das palmeiras são aproveitados. Com o rejeito, criou uma linha de produtos para o cultivo de plantas. Também desenvolveu equipamentos para contenção de vazamentos de óleo, capazes de devolver o produto recolhido para a refinaria, e ainda atua no tratamento de águas contaminadas.


6. Biotecland - Agrobiotecnologia com microalgas

A Biotecland adota soluções de biotecnologia para serem aplicadas na lavoura como forma de agricultura regenerativa. A startup desenvolveu um biofertilizante que contém microalgas, que conseguem absorver mais CO², ajudando no combate de pragas e trazendo mais resistência às plantas. A Biotechland também promete maior produtividade com a utilização do seu biofertilizante. Isso porque, além de comprar os insumos, o produtor pode também optar por fabricar suas próprias microalgas, utilizando a consultoria e a tecnologia da startup.


7. Treevia - Monitoramento florestal e de pegada de carbono

Atuando desde 2016 em soluções para o monitoramento remoto de florestas, a Treevia Forest Technologies também pretende ampliar suas atividades para a mensuração de conservação das florestas e da pegada de carbono. A startup já possui tecnologias que permitem o controle de inventário florestal, performance de florestas e acompanhamento de pesquisas em tempo real. Além disso, recentemente, a startup esteve entre sete iniciativas selecionadas pelo Land Innovation Fund, da Cargill, que vai destinar R$ 4,5 milhões para projetos que visam fomentar a sojicultura sem desmatamento. A proposta da Treevia, em parceria com a empresa GSS Carbono e Bioinovação, pretende entregar uma solução que remunere propriedades do cerrado por serviços ambientais realizados, com base em mapeamento de dados florestais, que utilizam a tecnologia da Treevia.


8. Natcrom - Fitoquímicos

Criada em 2020, a Natcrom Soluções Sustentáveis trabalha com economia circular, fazendo o reaproveitamento de resíduos agroindustriais para a fabricação de ativos botânicos, ou seja, de extratos que podem ser utilizados por indústrias farmacêuticas e de cosméticos. Um dos materiais descartados pela agroindústria e reutilizados são os rejeitos da casca da manga. Para que os projetos da startup sejam desenvolvidos, a Natcrom recebe apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), da Fapesp, que apoia pesquisas científicas.


9. SDW - Água potável e impacto socioambiental

Especialista em projetos de impacto socioambiental voltados a populações de zonas rurais ao redor do mundo, a SDW desenvolveu o Aqualuz, um dispositivo premiado pela ONU para desinfecção de água de cisterna de captação de água de chuva de zonas rurais através da radiação solar. Torna potável a água captada pelas cisternas utilizadas por famílias de baixa renda em regiões remotas. Indicado contra a contaminação microbiológica da água, que causa doenças e mortes em crianças. Dura cerca de 20 anos apenas com limpeza de água e sabão, sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica. A startup desenvolve ainda o projeto Sanuseco, banheiro sustentável voltado para regiões semiáridas, sem necessidade de descarga para remoção de dejetos e patógenos. Com o projeto Sanuplant Tecnologia complementar ao Sanuseco, voltada para o escoamento e tratamento do esgoto doméstico.


10. MUSH - Agroindústria

A startup Mush vem desenvolvendo pesquisas científicas há três anos para a utilização do micélio, que é uma parte componente de fungos, como matéria-prima biodegradável para a fabricação de produtos de ambientes domésticos e corporativos e embalagens sustentáveis. A startup também está criando soluções de isolamento térmico e acústico utilizando o material, ainda em processo de validação. Desde sua criação, a startup participou de várias chamadas e editais de fomento promovidos por Fundação Araucária, CNPq e SENAI.


11. SOLUBIO - Bioinsumos

A startup SoluBio possui uma solução de bioinsumos, o manejo biológico OnFarm, que pode ser produzido nas fazendas, diminuindo a necessidade de compra de defensivos ou outros insumos externos e trabalhando com a regeneração do solo.A startup promete uma economia de custos de até 70% para os produtores de cultivos de milho, soja, café, hortifruti, cana, trigo e algodão que utilizem a solução de bioninsumo. No ano passado, a SoluBio captou R$ 13,5 milhões para a ampliação de suas atividades e chegou a 1,6 milhão de hectares de atuação, abarcando mais de 250 grandes produtores.


12. Yes, We Grow

Fundada em 2019 pelo empreendedor Rafael Pelosini, a Yes We Grow tem como objetivo incentivar as pessoas a resgatarem o hábito de ter hortas em suas próprias casas. A startup vende kits orgânicos de brotos e mudas, pequenas caixas com sementes que desabrocham em até 20 dias, e vasos autoirrigáveis sem uso de terra. A palavra de ordem é facilidade.


Fonte: Valor Econômico

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