SoluBio cresce 347% no primeiro trimestre após emissão de CRA “Verde”

Empresa investirá cerca de R$ 150 milhões para dobrar a produção de bioinsumos nas fazendas e em desenvolvimento de novas biotecnologias



A SoluBio — empresa de biotecnologia que trabalha com produção de bioinsumos nas fazendas — teve um crescimento de 347% no valor de projetos comercializados no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo período do ano passado, saindo de R$ 6 milhões para R$ 26 milhões. Esse aumento significativo aconteceu após importante reforço de caixa com a emissão do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) “Verde”, no valor de R$ 100 milhões, no final de dezembro, somados a geração natural de caixa da companhia.

De acordo com o Chief Revenue Officer (CRO) da Solubio, Mauricio Schneider, o modelo de negócio da empresa funciona no sistema de comodato dos equipamentos e laboratórios e, por isso, necessita de investimento intensivo. Com os recursos do CRA, a expectativa é dobrar a quantidade de projetos de 200 para 400 em 2022, o que consequentemente multiplicaria a quantidade de hectares atendidos de 2 para 4 milhões.

“A nossa empresa fornece laboratórios, equipamentos, insumos, educação, controle de qualidade e assistência técnica para que o produtor rural produza seu próprio bioinsumo na fazenda com segurança, qualidade e eficiência agronômica. Vale destacar que todo o processo necessita de mão de obra qualificada para a produção e, por isso, o nosso primeiro passo com os recursos do CRA Verde foi estruturar a equipe: no ano passado tínhamos 109 colaboradores e atualmente temos mais de 500”, comenta o executivo.

A primeira emissão do CRA Verde da SoluBio tinha o valor inicial de R$ 80 milhões, mas teve uma oferta três vezes maior do que a inicial e foi ao mercado a R$ 100 milhões. Esta emissão foi destinada apenas para pessoas jurídicas — mais de 40 casas de investimentos participaram, com prazo para pagamento da dívida em três anos, a partir de 2023.

“Muitos bancos acharam que não teríamos demanda, já que nosso faturamento no ano passado (R$ 77 milhões) era pequeno em relação a dívida a ser tomada. O resultado foi uma grande e feliz surpresa, que mostra que o mercado está olhando para nós e apostando no setor de agro e bioinsumos”, complementa Schneider.

Os recursos serão utilizados para financiar projetos a nível nacional, prioritariamente nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Cerca de R$ 30 milhões do orçamento planejado para 2022 será destinado para uma das bases da empresa, que é o setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&DI).


O impacto sustentável do investimento

Os principais benefícios socioambientais listados pela SoluBio relacionados aos recursos do CRA “Verde” estão alinhados com a categoria de “prevenção e controle da poluição” e “gestão ambientalmente sustentável de recursos naturais vivos e uso da terra” dos Green Bond Principles, além dos “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” da ONU.

De acordo com a empresa, os projetos de produção de bioinsumos onfarm auxiliam na redução: do uso de agroquímicos e fertilizantes sintéticos; de embalagens plásticas; e, da necessidade de armazenamento e transporte de agroquímicos. Consequentemente, reduzem as emissões de GEE associadas e de impactos na biodiversidade e na saúde humana.

Redução de químicos na agricultura: cada litro produzido de bioinsumo onfarm representa, em média, 0,25 litro de defensivos químicos eliminados da agricultura, segundo a SoluBio. Esse dado foi obtido a partir de estudos de clientes parceiros da companhia que compararam o uso de químicos e bioinsumos entre uma safra e outra.

Em 2020, 3,75 milhões de litros de produtos químicos deixaram de ser lançados no meio ambiente pelos clientes, segundo a SoluBio. A redução no uso de químicos na lavoura representa uma possível mitigação da poluição do solo e da água, bem como a diminuição de resíduos plásticos, especialmente de embalagens dos químicos.

Redução de emissões de GEE: alguns microorganismos utilizados na fabricação dos bioinsumos realizam a fixação do nitrogênio nas plantas e, desta forma, contribuem para a redução das emissões atmosféricas de Gases de Efeito Estufa, quando comparados com fertilizantes convencionais.

Além disso, a produção de bioinsumos onfarm diminui o transporte e de embalagens de agroquímicos, pois as biofábricas são instaladas na fazenda do produtor para produção própria. Essa prática reduz as emissões de GEE associadas ao transporte de agroquímicos, e a logística reversa associada às suas embalagens.

Em decorrência do uso dos bioinsumos há redução no número de embalagens plásticas, como os galões que seriam utilizados para a aplicação de fertilizantes convencionais. São necessárias apenas três embalagens plásticas para a produção de 2 mil litros de bioinsumos no sistema onfarm.

Impactos positivos para a saúde humana e do meio ambiente: a aplicação de bioinsumos traz mais segurança e diminuem os riscos de intoxicação dos trabalhadores que fazem o manejo biológico, com mais segurança alimentar para os consumidores. Além disso, contribuem para o equilíbrio da biodiversidade e para a regeneração do solo.

Assim, a produção de Bioinsumos onfarm, traz grandes benefícios para a sustentabilidade das propriedades e para a agricultura brasileira, com impactos positivos para o meio ambiente e a sociedade.


Fonte: IC Com

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